Capítulo 32
Quem Enterra os Mortos
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Capítulo 32
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O primeiro morto que recusaram entregar a Odran chamava-se Pate Rusk.
A irmã dele bloqueou a carroça funerária com uma faca de cozinha. Tinha um bebê amarrado às costas e sangue seco no cabelo.
— Não vai queimar meu irmão para alimentar aquilo de novo.
Atrás de Odran, vinte e três corpos esperavam sob mantas. O calor da manhã já engrossava o cheiro. Dois tinham mexido durante a noite.
— O Fogo que faço não alimenta Vharos — disse o velho.
— Foi o que padres disseram à minha mãe.
— E mentiram.
— Padre mente com a mesma boca que reza.
Odran tirou a estola. Dobrou-a e pôs sobre o chão.
— Hoje não falo como padre. Falo como homem que sabe o que acontece se Pate ficar até escurecer.
A mulher apertou a faca.
Alice reconheceu-a: Leni Rusk, prima de Toma, o mineiro que Lucas deixara sob pedra. A morte atravessara a família duas vezes por rotas diferentes.
— Abra a manta — pediu Alice.
Leni olhou para ela com ódio suficiente para ser útil.
— Você salvou a cidade.
— Não salvou seu irmão.
— Não.
Odran abriu a manta. Veios vermelhos já marcavam as gengivas de Pate.
— Pode ficar durante o rito — disse Alice. — Diz o nome e uma coisa verdadeira. Odran não absolve o que não sabe. O fogo impede que o corpo seja usado.
— E se for mentira nova?
— Minha garantia verificável é Bren cortar a cabeça antes que ele levante. Consolo fica por sua conta.
Bren ergueu o machado.
Leni guardou a faca. Disse que Pate consertava telhados, devia quatro moedas ao padeiro e nunca devolvia panela. Odran repetiu tudo, inclusive a dívida. Quando o fogo pegou, o bebê acordou e chorou. Leni ficou até a manta virar cinza.
Depois ajudou no morto seguinte.
A nave lateral da catedral virou assembleia.
Padres de bairro sentavam de um lado, antigos confessores do outro, famílias no meio. Cade, pálido mas sem veios no ferimento, anotava propostas. O primeiro debate durou duas horas e quase terminou em pancada por causa de lenha.
— Enterro em terra é sagrado — insistiu o capelão Weylin.
— Terra contaminada devolve seu sagrado mordendo tornozelo — respondeu Bren.
Dara Mott bateu a pá chamuscada no piso.
— Meu marido recebeu fogo e nome sem bispo. Funcionou.
— Uma ocorrência não estabelece doutrina.
— Vinte e quatro ocorrências estabelecem trabalho — disse Odran. — Podem discutir doutrina depois de cavar.
Alice observava junto à porta. A falta das formas tornava a multidão mais fechada; antes, poderia imaginar asa até uma viga ou raposa sob bancos. Agora precisava atravessar gente pedindo licença.
Bella entrou com seis guardas e três escribas. O murmúrio mudou. Parte da assembleia ainda a chamava regente; parte, usurpadora.
— A Coroa fornecerá lenha por trinta dias — anunciou. — Depois, cada distrito mantém fundo funerário auditado por duas famílias e um oficiante eleito.
— E quem reconhece o oficiante? — perguntou Weylin.
— Os vivos que o vigiam.
— Isso entrega sacramento à multidão.
— A multidão enterrava vocês antes de haver catedral.
Bella pôs sobre o altar uma lista. Distrito das Tinas, Capitã Nera Sol, Tavian, Harl Mott, Pate Rusk. O nome de Alice vinha no fim, marcado como dívida sem morte.
— Não me enterre por escrito — disse Alice.
— Estou registrando custo.
— Minha memória não pertence ao tesouro Vale.
— Concordo. Por isso a dívida não pode ser paga com título sem sua aceitação.
Bella leu o decreto: assistência médica durante a gravidez; renda independente de serviço; direito da criança às propriedades Ardel sem obrigação política; proteção para Finn se ele escolhesse ficar ou partir; nenhum uso do nome de Alice em culto, moeda ou legitimação régia.
— Você escreveu a última parte por medo de mim? — perguntou Bella.
— Por experiência com instituição.
— Sensato.
Nessa, irmã de Tavian, levantou-se.
— E quem paga os carregadores mortos?
Bella acrescentou com a própria pena: família de cada trabalhador recebia grão por um ano e preferência nos novos ofícios de água.
— Preferência não enche panela hoje — disse Nessa.
— Então metade em grão hoje, metade em salário depois.
— E se não houver depois?
— Minha casa paga hoje.
Alice viu Bella fazer a conta. A rainha comprava a primeira prestação de uma coroa ainda contestada e deixava generosidade fora do negócio. Mesmo assim, Nessa recebeu um vale com selo que Ors trocaria por cevada antes do anoitecer.
Fé e instituição não morreram juntas. A assembleia escolheu sete oficiantes, quatro deles mulheres que já cuidavam de mortos sem título. Weylin ficou. Dois confessores saíram chamando aquilo de profanação.
Odran recolheu a estola do chão e a entregou a Dara.
— Corte em sete pedaços — disse.
Ela usou a pá como apoio e uma faca de cozinha para começar.
O problema seguinte foram os livros de nascimento.
Quatrocentos registros estavam guardados numa sala abaixo da torre norte. Alguns traziam nomes rituais completos; outros, apenas marcas de parteira. Um grupo de fiéis queria queimá-los. Famílias precisavam deles para heranças, casamento e identificação de desaparecidos.
— Papel serviu de corrente — disse Nessa.
— Também prova que minha filha existiu — respondeu uma mulher chamada Joce. — Merrow levou a menina para serviço e disse que nunca a recebeu.
Bella mandou abrir a sala diante da assembleia. Nenhum guarda entrou sozinho. Cada livro foi carregado por duas pessoas de distritos diferentes e um escriba.
Alice folheou páginas onde crianças viravam alças. Nome comum, patronímico, linhagem, frase ritual. Ao tocar uma inscrição, sentiu apenas papel; Vharos já não alcançava sua linhagem, mas outros fios continuavam.
— Raspamos a frase ritual e preservamos o nome civil — sugeriu Cade.
Weylin discordou.
— Rasura invalida o registro perante casas.
— Então as casas mudam a regra — disse Bella.
Perrin Oren, presente para vigiar interesses, bateu a bengala.
— Não se muda propriedade com faca.
Joce abriu um livro e encontrou a filha. O registro dizia transferida ao serviço penitente, sem reclamação familiar. Ela mostrou três cartas de reclamação com selo de recebimento.
— Já mudaram propriedade com pena — disse.
A sala quase virou briga. Alice subiu numa mesa.
— Ninguém queima hoje. Ninguém leva livro para casa. Copiem nome civil e parentesco. A frase ritual será coberta, não apagada, até notários criarem registro novo. Quem procura desaparecido recebe acesso com testemunha.
— Quem lhe deu autoridade? — perguntou Perrin.
— Ninguém. É uma proposta. Vote contra se tiver uma melhor.
Ele não tinha.
Durante três dias, famílias copiaram páginas. Nilo ensinou pessoas que mal liam a reconhecer marcas. Alice encontrou o nome de Mara num volume do Brejo de Venn: Mara Pell, filha de Iven Pell e Roa Senn. A linha ritual fora raspada anos antes, provavelmente por Sybelle.
Ela ficou com o dedo sobre o nome.
— Vai procurar? — perguntou Finn.
— Não hoje.
— Quer cópia?
Alice pensou na barganha de Vharos. A informação real não vinha com promessa de devolver infância; vinha num livro, com pais e rasura.
— Quero. Só essa linha. Sem inventar destino.
Finn copiou. Alice guardou junto à confissão de Sybelle, não junto às cartas de Lucas. Buracos diferentes exigiam recipientes diferentes.
No quarto dia, os delegados aprovaram novo registro: nome civil escolhido pela família e revisável pela pessoa adulta; nenhuma fórmula de sangue; acesso público limitado para impedir desaparecimento oficial; três cópias em lugares distintos. Bella queria uma cópia no palácio.
— Uma em palácio, uma em cada distrito, uma com notários itinerantes — negociou Nessa.
— Distritos queimam.
— Palácios também.
Fecharam assim. O primeiro registro novo foi o de Nera Noll, menina nascida durante a caravana que ainda aguardava partida. A mãe escolheu o nome; nenhum padre o transformou em dívida.
Bren levou Alice ao poço dos curtidores ao anoitecer.
A água continuava vermelha. O rito cortara Vharos da linhagem dela; não lavara Ferrugem já instalada. Um Rastejante escondia-se na cisterna, antigo carregador com pedras nos bolsos. Bren o puxou por um gancho enquanto Alice segurava a corda.
— Antes eu desceria de víbora — disse ela.
— Antes eu perderia tempo procurando você no fundo.
O morto surgiu mordendo. Bren enfiou sal nos olhos e Alice acertou a cabeça com uma marreta. O impacto subiu pelos braços. Precisou de três golpes.
— Trabalho pior sem bicho — disse ela.
— Trabalho continua.
Encontraram ovos de Ferrugem sob o reboco, nódulos duros como noz. Bren marcou o poço para demolição.
Demolir exigia pedrairos, e os pedreiros estavam enterrando parentes. Exigia cal, e Bella reservara a cal para muralhas. Exigia água limpa para lavar ferramentas, a coisa mais cara da cidade.
Nessa chegou com Ors e duas conchas.
— O distrito tem quatro barris — disse. — Bren pede um inteiro.
— Meio — corrigiu Bren.
— Pediu um no papel.
— Escriba arredondou.
Ors mostrou o pedido. A cruz de Bren ocupava o espaço da quantidade.
— Cruz não vale como número — disse Alice.
— Para mim era meio.
— Para intendente era oportunidade.
Ors ficou ofendido com precisão suficiente para confirmar.
Alice calculou: lavar marretas com vinagre, reservar água para pele e olhos, queimar cordas contaminadas. Um quarto de barril bastaria se ninguém derramasse.
— Um quarto agora. Outro se os nódulos abrirem.
Bren reclamou.
— Você quer caçador com Ferrugem debaixo da unha?
— Quero caçador que use escova.
Nessa registrou a medida com um risco próprio. Ors observou como quem via o cargo diminuir colher por colher.
Quando quebraram a parede do poço, encontraram três corpos antigos emparedados. Um vestia avental de curtidor; outro tinha corrente de condenado; o terceiro era pequeno demais.
O corpo da criança abriu os olhos.
Bren lançou sal. Nada aconteceu.
— Contaminado — disse Alice. — O sal.
Ors empalideceu.
— Veio do depósito sul.
— Quem misturou?
— Ninguém.
Nessa aproximou a tocha do saco. Veios rosados atravessavam os cristais.
— Puseram sal de poço junto do puro.
O Rastejante infantil saltou. Alice ergueu a marreta tarde; Bren entrou na frente e recebeu os dentes no couro do antebraço ferido. Nessa acertou o morto com a concha de ferro. Ors, para surpresa de todos, usou o saco contaminado como peso e o prendeu no chão.
Alice quebrou o crânio.
Depois cortou a manga de Bren. Os dentes não atravessaram a braçadeira, mas a pele ao redor estava vermelha.
— Quem guardava o depósito sul? — perguntou.
Ors respirava com dificuldade.
— Mestre Pellot.
— Traga.
Pellot confessou ter misturado os sacos para esconder perda de seis medidas durante o cerco. Vendera sal puro a famílias ricas e completara o peso com sal vermelho.
Bren quis enforcá-lo no poço.
— Ele quase matou quatro pessoas — disse.
— E sabe para quem vendeu — respondeu Alice.
Pellot entregou doze nomes, dois deles membros de Oren. Bella mandou apreender os sacos e condenou o homem a trabalhar na remoção de corpos sob guarda, sem acesso a depósitos.
Nessa discordou.
— Rico compra veneno e recebe devolução. Pobre que roubou uma concha perdeu dois dedos sob Merrow.
Bella apoiou as mãos na mesa de distribuição.
— Quer os dedos dele?
— Quero a mesma regra.
— Então mudamos a regra para frente. Não mutilo mais um para equilibrar mutilações antigas.
— Fácil dizer com teus dedos.
Alice esperou que Bella ameaçasse. A rainha ainda sem coroa retirou o anel e pôs a mão nua sobre a mesa.
— Fácil, sim. Registre a objeção e o nome de quem perdeu dedos. O tesouro paga compensação.
Nessa recebeu justiça pela metade e aceitou porque precisava voltar aos barris antes que outra concha desaparecesse.
Bren queimou o sal contaminado com óleo, criando fumaça vermelha que obrigou todos a cobrir o rosto. O custo entrou no registro do poço: um quarto de barril, duas braçadeiras, um saco de sal perdido, três mortos encontrados, doze famílias expostas.
Vitória sobre Vharos continuava chegando em contas ruins.
— Quantos anos? — perguntou Alice.
— De caça?
— Até acabar.
— Não acaba. Diminui, muda de lugar, espera guerra seguinte.
— Animador.
— Você que perguntou.
Finn apareceu carregando duas tochas. Entregou uma a Alice.
— Ouvi uma voz no poço — disse.
Bren ergueu a marreta.
— Qual?
— Minha mãe. Mas ela nunca me chamou pelo nome que a voz usou.
— Então aprendeu.
— Aprendi. Quero ir para oeste.
Alice quase respondeu comigo antes de perguntar:
— Por quê?
— Em Pedra-Fria, todo mundo me conhece como menino que voltou morto. Em Calderis, sou ouvido de demônio. No oeste, há oficinas de ponte no rio Lorn. Colm disse que aceitam aprendiz que saiba contar.
— Você não sabe contar direito.
— Por isso chama aprendizagem.
— E por que comigo?
Finn cutucou um nódulo com a bota.
— Você sabe quando água está ruim, eu sei quando voz mente. E você não vai me entregar para mosteiro.
— Posso ficar controladora.
— Já é.
— Pode partir quando quiser.
— Escreva.
Alice riu. Escreveram no verso de um aviso de poço: Finn viajava por escolha própria; mantinha o próprio dinheiro; podia deixar a companhia em qualquer povoado seguro; Alice não escolhia ofício, fé ou nome por ele. Bren testemunhou com uma cruz torta.
— Papel manda pouco — disse Alice.
— Ainda impede mentira de ser voz única — respondeu Finn.
A frase do homem sem história provocou dor no peito. Alice não explicou.
Na manhã seguinte, enterraram os últimos corpos do pátio.
Odran partia para Salgária ao fim da semana. Levaria cópias do rito novo, nomes dos oficiantes e a estola cortada.
— Vai reconstruir Igreja? — perguntou Alice.
— Não sozinho. E não igual. Talvez reconstruam capelas. Talvez só cozinhas com fogo bastante para mortos. Fé gosta de teto; instituição gosta de chave. Vou tentar não entregar as duas à mesma mão.
Cade escolheu acompanhá-lo quando a perna permitisse. Dara ficou responsável pelos enterros do Distrito das Tinas. Nessa assumiu a distribuição de grão e descobriu em dois dias que Ors roubava uma concha a cada dez. Bella não o demitiu; mandou Nessa cobrar diante dele.
Bren recebeu um quarto no antigo mosteiro da cidade e autoridade limitada para interditar poços. Reclamou da cama, do selo e da palavra autoridade. Aceitou os três.
Alice ficou diante da pira de Tavian e Harl. Não lembrava Lucas ao seu lado, mas encontrou duas pegadas no barro, uma sua e outra maior. O corpo inclinou-se para a presença ausente.
— Ele está na fronteira leste — disse Bella atrás dela. — Pediu trabalho de mediação com os mineiros. Não fugiu; escolheu distância.
— Eu não perguntei.
— Não. Estou pagando uma parte pequena da dívida com informação.
Alice olhou as cinzas.
— Guarde as outras partes.
— Anotado.
O vento levou cinza até o jardim. Presa entre duas pedras, uma semente de espinheiro começava a abrir. Alice não a tocou. Deixou que crescesse sem nome de santa, rainha ou salvadora.
Antes de partir, voltou ao Distrito das Tinas com Bella. As quatro ruas ainda eram esqueletos negros. Nera Sol e sua guarnição tinham sido encontrados junto à ponte, armas voltadas para Thorne. O marido de Nera chegara de Kess naquela manhã com as duas filhas.
Bella entregou a ele a escritura prometida de terra no cais.
— Não quero terra — disse o homem. Chamava-se Joss. — Quero saber quem mandou minha mulher ficar.
— Eu.
— E quem disse que vinha reforço?
— Ninguém. Ordenei que contassem a verdade.
Joss olhou para a capitã morta sob a manta.
— Então ela ficou sabendo.
— Ficou.
Isso não absolveu Bella. Também impediu que a morte de Nera virasse traição inventada. Joss aceitou a escritura para as filhas, não apertou a mão da rainha e pediu o corpo.
Dara conduziu o rito. As duas meninas disseram que Nera queimava pão e cantava mal. Um soldado sobrevivente contou que ela mandara três recrutas fugir antes de segurar a ponte. Bella acrescentou a ordem de incêndio. O fogo recebeu uma pessoa inteira, não uma estátua útil.
Depois, Joss perguntou a Alice:
— O que você perdeu?
— Memórias de um homem vivo.
— Então por que Bella lhe deve? Ele continua vivo.
Alice olhou as filhas de Nera.
— Porque continuar vivo não devolve o que foi tirado. Mas minha dívida e a sua não cabem na mesma medida.
Joss assentiu sem concordar. Era o máximo que a cidade podia oferecer.
Na volta, Bella retirou do dedo um anel de Vale e entregou ao fundo das Tinas.
— Gesto bonito — disse Alice.
— Pagamento pequeno.
— As duas coisas podem ocupar o mesmo metal.
No pátio, encontraram Odran ensinando o rito novo a uma dúzia de pessoas. Cada uma precisava nomear o morto, declarar quem testemunhava e registrar interrupções. Alice ouviu até uma jovem tentar acrescentar que Vharos fora vencido para sempre.
— Corte essa linha — disse.
— Mas os Coroados caíram.
— E Bren encontrou Ferrugem no poço ontem. Diga o que sabe: o comando enfraqueceu, o pacto foi exposto, uma linhagem foi cortada.
— Isso dá menos esperança.
— Dá esperança que não envenena água.
A jovem riscou a frase.
Ao anoitecer, vinte e sete fogos ardiam em Calderis, pequenos e separados. Nenhum bispo os comandava. Famílias vigiavam, oficiantes anotavam, caçadores esperavam com sal. Alguns ritos falharam. Dois mortos levantaram e foram decapitados. Odran registrou também as falhas.
Alice caminhou entre as piras até as pernas doerem. A cidade cheirava a lenha, carne e sopa. Fé popular permanecia nos gestos: mãos erguidas, nomes repetidos, pão deixado para mortos. A instituição rachara em dezenas de trabalhos menores, menos elegantes e mais difíceis de esconder.
Fim do Capítulo 32