Capítulo 26
A Igreja Abre as Portas
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Capítulo 26
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Os sinos de Calderis bateram três vezes antes do amanhecer — um som seco, mecânico, sem nada de reza ou luto nele, do tipo que faz gente acordar com a mão já fechada na adaga antes mesmo do pensamento chegar.
Lucas estava de pé junto à janela do quarto que Lady Bella Vale lhes cedera, olhando fumaça subir das torres da catedral. Alice sentiu no cheiro a origem pior que um incêndio comum: cobre, incenso podre e uma nota mais funda, de carne que já morrera uma vez e insistia em falar mesmo assim.
— Abriram as portas de baixo — disse ele, sem se virar. — E abriram de propósito.
Alice vestiu-se depressa, os dedos ainda dormentes de sono, e prendeu a capa de lã grossa nos ombros com o broche de osso que Sybelle lhe dera anos antes — o couro reforçado nas bordas já rachava de tanto uso, mas ainda segurava. Desde que Bella consolidara apoio com os papéis de Sybelle e Alice recusara absolver a própria mãe, Calderis vivia num fio esticado demais: as casas rachadas, Thorne ameaçando golpe, os bispos agarrados ao último resto de legitimidade que lhes restava. Ninguém tinha imaginado que a Igreja preferiria queimar o tabuleiro inteiro a perder a partida.
— Como você sabe que foi de propósito? — perguntou Alice, calçando a segunda bota.
— Porque abrir cripta por acidente cheira a mofo — respondeu Lucas. — Isso aí cheira a incenso. Alguém acendeu vela antes de puxar o selo. Ninguém acende vela por acidente.
Bren bateu na porta antes que ela terminasse de amarrar a segunda bota.
— Enlaçados nas ruas baixas. Coroados nas escadarias da catedral. — A voz dele saía calma demais pro que estava dizendo. — Isso é ordem, não surto. Alguém desceu às criptas e puxou o selo com a própria mão.
Odran apareceu atrás dele, o rosto velho lavado de luz de lamparina.
— Confessores cantando o que não deviam cantar em voz alta — murmurou o exorcista. Fez o sinal pequeno que ainda usava por hábito, mesmo sabendo há décadas que não protegia nada. — Preferem o reino podre a perdê-lo sem eles dentro dele.
Desceram pela escada de serviço da casa Vale. No último lance, encontraram um homem encolhido atrás dos barris de salmoura, a batina de acólito rasgada no ombro e o rosto tão branco quanto o próprio hábito. Bren ergueu a faca por reflexo; o rapaz ergueu as duas mãos vazias.
— Não sou Reerguido — disse ele, depressa. — Sou Cade. Servia o altar menor, sob o próprio Merrow.
— Servia — repetiu Lucas.
— Servia — confirmou o rapaz, a voz quebrando. — Fugi pela escada dos noviços quando vi o que eles iam fazer.
Odran se aproximou, mais curioso do que desconfiado.
— Conta — pediu.
Cade engoliu em seco, os olhos pulando entre os quatro rostos como quem escolhe pra quem contar a verdade antes que ela apodreça dentro do peito.
— Houve votação — disse. — Ontem à noite, na sala do capítulo. Merrow disse que a confissão pública já tinha matado a Igreja de qualquer jeito, que era melhor morrer com poder nas mãos do que sem nenhum. Três bispos velhos votaram contra. Trancaram os três na cripta dos noviços, "pra segurança deles", disse Merrow. Não sei se ainda estão vivos.
— E o povo? — perguntou Alice. — Sabiam que ia acontecer?
— Não. — Cade balançou a cabeça, com força, como quem quer se convencer da própria resposta. — Anunciaram penitência ao amanhecer. Ninguém imaginou que penitência significasse abrir a porta de baixo pra valer.
Bren cuspiu no chão de pedra, sem cerimônia.
— Bonito serviço, esse teu Merrow.
— Merrow deixou de ser meu — disse Cade, com uma raiva repentina que pareceu surpreendê-lo mais do que a todos os outros. — Nunca mais.
Alice olhou pra ele um instante mais longo do que precisava. Reconheceu o rosto de quem tinha acabado de perder a única casa que conhecera, mesmo sendo casa podre. Não disse nada de consolo — não tinha consolo sobrando pra distribuir naquela manhã — mas indicou com a cabeça que ele podia segui-los.
— Fica atrás de Odran — disse ela. — Ele sabe rezar por gente que perdeu altar. Eu não sei.
Bren ajudou o rapaz a se levantar, sem gentileza fingida, do jeito prático de quem já ajudara gente demais a se levantar de lugar pior que aquele.
— Sabe lutar, moço? — perguntou.
— Sei ler grego antigo e recitar liturgia de trás pra frente — respondeu Cade, ainda tremendo.
— Ótimo — disse Bren, sem nenhuma ironia visível na voz. — Nenhuma das duas coisas mata Enlaçado, mas pelo menos você vai morrer instruído.
Cade não riu. Ninguém esperava que risse.
Lá fora, Calderis parecia mais garganta que cidade: gritos cortados batiam nas paredes e voltavam. Metal rangia contra osso coberto de veios vermelhos, e civis eram empurrados pra becos onde Reerguidos arrastavam correntes que, até a véspera, tinham sido ornamentos sagrados.
Um Enlaçado virou a esquina bem na frente deles: tronco humano soldado a outros troncos, bocas nascendo em lugares errados, murmurando pecados que Alice nunca cometera e que, ainda assim, reconheceu como possíveis — o tipo de coisa que qualquer um pensa fazer numa noite ruim. Bren jogou sal e fogo no mesmo gesto, sem parar de andar; o monstro recuou, não morreu, mas abriu passagem suficiente.
Numa porta de padaria com as tábuas já pregadas por dentro, Alice viu um homem gordo de avental sujo de farinha — devia ser o padeiro, Mestre Aldwin, a placa acima da porta ainda dizia PÃO FRESCO TODOS OS DIAS — martelando o último prego com as mãos tremendo tanto que errava a cabeça do prego mais vezes do que acertava. A mulher dele gritava lá dentro pros filhos descerem pro porão. Ninguém ali tinha tempo pra olhar o cerco chegando; só tinha tempo pra trancar o que ainda dava pra trancar.
Na praça pequena diante da capela de bairro, um grupo de umas vinte pessoas se ajoelhava em volta de um santuário de pedra — velas acesas apesar do vento, um padre local (não da catedral, um simples, de sotaina remendada) tentando liderar reza que ninguém conseguia terminar sem parar pra ouvir o barulho vindo do centro da cidade. Uma mulher velha se levantou quando viu o grupo passar, o rosto vincado de quem trabalhara a vida inteira ao sol, e agarrou a manga de Odran com força de quem já não tinha nada a perder.
— Vocês vêm da catedral? — perguntou ela. — Digam que isso veio dos homens. Digam que Deus não mandou os mortos de volta por causa dos nossos pecados.
Odran parou. Por um instante, pareceu mais velho do que já era, os ombros descendo sob o peso da pergunta.
— Homens vivos deixaram esta conta sem pagar há muito tempo, senhora — disse ele, por fim. — Os mortos só vieram cobrar.
— Então reza serve pra quê? — insistiu ela.
— Serve pra você não ficar sozinha enquanto espera — respondeu o velho exorcista, com uma gentileza que Alice nunca tinha visto nele antes daquela manhã. — Não prometo mais que isso. Prometer mais seria mentira, e mentira já causou o bastante por hoje.
A mulher soltou a manga dele, sem consolo real no rosto, mas sem raiva nova também. Voltou pro grupo ajoelhado. Alice seguiu andando, o peito apertado por uma coisa que não tinha nome fácil — não pena exatamente, mais parecido com vergonha alheia, a vergonha que a Igreja devia sentir e não sentia.
— Cerco — disse Lucas, quando chegaram à barricada que os homens de Bella erguiam com carroças viradas e sacos de grão empilhados. — Querem que a capital sangre até alguém ceder.
Bella estava no centro da linha, armadura leve sobre o vestido escuro, cabelo preso como quem vai a uma negociação e não a uma matança — embora a matança já estivesse acontecendo ali mesmo, a poucos passos.
— A Igreja anunciou penitência pública — disse ela, sem preâmbulo, ao ver Alice chegar. — Abriram as criptas pra provar que só o fogo delas segura o que está embaixo. Ou pra provocar o que está embaixo e forçar todo mundo a precisar delas de novo. Com bispos, dá no mesmo resultado.
— Houve votação — disse Alice. — Três bispos recusaram. Merrow trancou eles lá dentro.
Bella ergueu as sobrancelhas, o primeiro sinal de surpresa real que Alice lhe via naquela manhã inteira.
— De onde você tirou isso?
— Dele. — Alice apontou pro rapaz encolhido atrás de Odran. — Servia o altar de Merrow até ontem à noite.
Bella olhou pra Cade por um bom tempo, avaliando, do jeito que avaliava qualquer coisa que pudesse virar moeda depois.
— Nome? — perguntou.
— Cade — respondeu o rapaz, a voz mal saindo.
— Cade, você vai repetir isso pra três escribas diferentes antes do meio-dia, se sobrevivermos até lá — disse Bella. — Três bispos contra o próprio bispo maior vale mais que qualquer confissão de Sybelle. Prova que nem dentro da Igreja acreditam mais na Igreja.
— Se eu sobreviver até lá — murmurou Cade, olhando pro cerco.
— Fica perto de Odran — repetiu Alice. — Ele já perdeu fé de sobra pra saber guardar a de outro.
Odran resmungou algo que podia ser concordância ou ofensa; não deu tempo de decidir qual.
— Vharos — murmurou Alice, e se arrependeu na mesma respiração: o ar pareceu engrossar, como já engrossara antes, sob a catedral, quando ela ouvira confessores discutindo acordar o sacramento em forma de garça.
Bella inclinou a cabeça, sem se assustar com o nome.
— Você ouviu. Eu também ouvi, indiretamente. — Não soava fé; soava inventário de risco, o tom de quem soma perdas antes da batalha. — Thorne marcha pra tomar a catedral à força. Mereth financia os dois lados, como sempre. Se Calderis cair, não existe coroa que valha o metal.
Bella transformou a barricada em tribunal.
Mandou erguer uma porta arrancada sobre dois barris e subiu nela com os registros autenticados. Maela Dorn ficou abaixo, protegendo os três selos dentro de uma caixa transparente de chifre. Nilo Var, ainda sem dois dentes, leu a cadeia de custódia. Pell confirmou a própria concessão à Casa Mereth antes de confirmar a assinatura de Merrow, para que ninguém confundisse interesse com inocência.
Lucas leu a lista de lucros de Ardel. A voz falhou ao dizer o nome do pai e se firmou ao chegar em Toma Rusk.
Alice leu os cinquenta e dois nomes do livro de Sybelle.
Levou tempo. Reerguidos batiam contra a linha duas ruas adiante; arqueiros gritavam por sal; uma mulher procurava o filho entre os refugiados. Ainda assim, Alice não cortou a lista. Lysa Perr veio por último. Bren ergueu a placa de cobre de Emon Saye, e Maela registrou a correspondência.
Um diácono de Merrow apareceu na escadaria oposta e chamou tudo de invenção.
— Três notários — gritou Nilo, mostrando as ceras. — Três casas. Lei do reino que o próprio bispo usou para tomar terra de Ardel.
O diácono tentou responder. Cade subiu na porta improvisada e contou a votação das criptas: os três bispos contrários, os reféns na ala norte, a ordem de Merrow para abrir os selos inferiores. Dois acólitos saíram da multidão e confirmaram.
Copistas trabalhavam atrás da barricada. Cada página pronta passava de mão em mão: açougueiro, soldado, lavadeira, padre de bairro. Alguns rasgavam o papel ao ver Sybelle. Outros beijavam o selo notarial como se cera fosse proteção.
— Confissão pública alimenta Vharos — avisou Odran.
— Então não confessamos culpa à criatura — respondeu Alice. — Registramos crime para os vivos.
Não sabia se a distinção bastaria. A pressão sob a testa aumentou quando a multidão repetiu Merrow. Mesmo assim, esconder tinha alimentado as criptas por séculos.
Bella ordenou que uma cópia fosse pregada em cada portão e outra lançada por cima das linhas de Thorne.
— Agora a Igreja precisa matar a cidade inteira para recolher o papel — disse.
Na catedral, o primeiro pulso respondeu. A porta de chifre rachou sobre a caixa dos selos. Maela abraçou os registros e xingou o bispo com precisão de tabeliã.
Encontraram Finn perto do poço seco onde as crianças já não brincavam. O rosto estava pálido de quem não dorme desde que a própria vila foi reerguida, os olhos grandes demais pro corpo magro de quase quinze anos. Não carregava arma. Carregava silêncio, e o silêncio dele, às vezes, era pior que grito.
— Ele está acordado — disse o menino, a voz saindo dupla por um instante, a dele e outra, grave, como pedra molhada. — Desde que abriram as portas. Não fala com todo mundo. Fala comigo porque eu já estive do outro lado por um minuto inteiro.
Alice se agachou pra ficar na altura dele. Não tocou — Finn não gostava de toque sem aviso, aprendera isso da pior forma possível numa noite qualquer.
— O que ele quer? — perguntou.
Finn fechou os olhos. Quando abriu, havia lágrima seca, não nova.
— Não quer a cidade. Quer o nome. — Pausa. — O seu nome inteiro, Alice Venn. Não o que está nos registros. O que Sybelle escondeu. O que a garça guarda pra você. O que sobra depois de cada forma que você veste e tira.
— Explica melhor — pediu ela, sentindo o próprio pulso acelerar. — Nome inteiro é o quê? Nascimento? Sangue?
O menino balançou a cabeça, devagar, como se a pergunta doesse fisicamente.
— Não sei explicar do jeito que ele fala. Ele não fala com palavra igual à nossa. Fala com peso. — Finn apertou os joelhos contra o peito. — É tipo... quando ele diz nome, quer dizer tudo que você é, junto, de uma vez. Filha, metamorfa, grávida, o que ama, o que teme. Sem pedaço faltando.
— Então quer que eu vá até lá inteira — disse Alice, mais pra si mesma do que pra ele.
— Quer que você vá até lá sem esconder mais nada — corrigiu Finn. — Sybelle escondia. A garça escondia. Ele está cansado de esperar pedaço por pedaço.
Lucas deu um passo à frente.
— Isso é chantagem teológica — disse ele.
— Isso é fome — corrigiu Odran, baixo. — Vharos não come carne como nós comemos pão. Come culpa. Come linhagem. Come o que prende sangue a sangue.
— E se ela não for? — perguntou Cade, a voz saindo fina, quase sem querer perguntar em voz alta.
Finn olhou pra ele, os olhos ainda com o brilho errado de quem carrega voz emprestada.
— Ele espera. — O menino deu de ombros, um gesto pequeno demais pro tamanho da frase. — Espera séculos. Espera mais um pouco não custa nada pra ele. Custa pra gente.
O estômago de Alice se apertou — não de medo de morrer, de medo de virar lista. Anos pagando metamorfose com memórias pequenas: um sabor, uma cor, o nome de uma estrada qualquer. O buraco de Mara ainda sangrava toda vez que luz de vila batia direto nos olhos dela. Se Vharos pedia o nome inteiro, pedia tudo que sobrara de quem ela fora antes de virar ferramenta, amante, filha traidora da própria mãe.
— Ele disse quando? — perguntou ela.
— Disse "antes que o cerco aperte demais pra escolher" — respondeu Finn. — Não sei o que isso significa em dia ou hora. Ele não conta tempo do jeito que a gente conta.
— E se eu oferecer só parte? — perguntou Alice, agarrando a última esperança de barganha que conseguia imaginar. — Um pedaço, não o nome inteiro.
Finn balançou a cabeça antes mesmo de terminar de pensar na resposta, como se a pergunta já tivesse sido feita antes, por outra pessoa, em outro século.
— Sybelle tentou isso — disse ele. — Não com nome, com prisioneiro. Deu pedaço, guardou pedaço. Ele aceitou por um tempo. Depois cobrou o resto com juro. É por isso que existe Ferrugem espalhada pelo reino inteiro em vez de um problema só, resolvido uma vez.
— Então parte não basta — disse Odran, mais afirmação que pergunta.
— Parte nunca bastou — confirmou Finn. — Só adia. Ele tem paciência de coisa que não morre.
Alice sentiu o próprio maxilar travar, o mesmo músculo que Lucas dizia reconhecer de longe.
— E o que acontece com quem entrega o nome inteiro? — perguntou ela, baixo, quase não querendo ouvir a resposta em voz alta.
Finn não respondeu de imediato. Olhou pro chão, pras próprias mãos magras, como se procurasse a resposta certa entre as linhas da palma.
— Não sei — disse por fim. — Ninguém entregou até agora. Sybelle fugiu antes de entregar. Você seria a primeira.
A frase ficou pairando entre os quatro, sem ninguém com coragem de preenchê-la com consolo falso.
Na catedral, alguma coisa bateu — não martelo, não trovão, um pulso único que fez as janelas tremerem na moldura. Os Coroados avançaram mais um quarteirão: Reerguidos com coroas de ferro fundido cravadas no crânio, bispos mortos ou vivos demais pra se distinguir, cantando versículos torcidos fora do compasso.
Bren cuspiu no chão.
— Cerco fechado — disse. — Entrada principal, tomada. As escadas laterais ainda respiram, mas não por muito tempo.
Bella apontou pro mapa rabiscado numa tábua de madeira.
— Túneis de serviço sob a casa do arcebispo. Alice conhece parte do caminho — você esteve lá de garça.
Alice assentiu. A lembrança da infiltração vinha em pedaços: pedra fria sob as patas, vozes em coro, uma pressão atrás dos olhos como dedo exigindo confissão.
— Não sozinha — disse Lucas.
— Acabou o debate; a conta é simples. — A dureza saiu dela do mesmo jeito que Sybelle lhe ensinara a usar, agora virada contra o homem que menos queria ferir. — Você não entra na consciência de um demônio, Lucas. Eu talvez entre. Ou talvez morra tentando. De qualquer jeito, alguém precisa segurar o cerco aqui fora enquanto o nome ainda é meu pra oferecer.
Finn puxou a manga da capa dela, gesto raro nele.
— Ele disse que se você descer, leva o reino junto. Ou deixa o reino ir. — A voz voltou a ser só de menino, pequena. — Não sei qual das duas é pior.
Cade, atrás de Odran, benzeu-se de novo — o gesto que Bren zombara horas antes agora parecia a única coisa que o rapaz ainda sabia fazer com as próprias mãos.
Alice olhou pra catedral, pra fumaça, pra Lucas que abriu a boca pra discutir de novo e fechou de novo — já conhecia bem demais aquele músculo travado no maxilar dela pra confundir com teimosia vazia.
— Então vamos aprender qual é pior — disse ela. — Antes que o nome inteiro deixe de ser meu pra oferecer ou negar.
O segundo pulso veio antes do amanhecer clarear de verdade. Dessa vez, Calderis inteira pareceu prender a respiração ao mesmo tempo.
Fim do Capítulo 26